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Fifa aprova normas para aumentar presença feminina nas comissões técnicas

O Conselho da Fifa aprovou nesta quinta-feira, 19, um conjunto de regulamentações inéditas que torna obrigatória a presença feminina nas comissões técnicas de todas as suas competições voltadas para mulheres. A medida, que busca corrigir a enorme disparidade de gênero à beira do gramado, entrará em vigor ainda este ano e representa um marco no desenvolvimento do futebol global.

De acordo com as novas diretrizes da entidade, cada seleção ou clube que participar de competições femininas da Fifa deverá, obrigatoriamente, contar com pelo menos duas mulheres na comissão técnica presentes no banco de reservas durante as partidas. Além disso, a regra exige rigorosamente que pelo menos uma dessas profissionais ocupe o cargo de treinadora principal ou de auxiliar técnica. Esta determinação será aplicada de forma irrestrita a todos os níveis do esporte, abrangendo torneios de categorias de base, competições de seleções principais e também os campeonatos de clubes.

A estreia dessa nova regulamentação já tem data e local marcados: ocorrerá na Copa do Mundo Feminina Sub-20, que será disputada na Polônia, a partir de setembro de 2026. Na sequência, o novo modelo será implementado na Copa do Mundo Feminina Sub-17 e na edição inaugural da Copa dos Campeões Feminina da Fifa, ambas agendadas para o atual calendário. A norma também terá um impacto direto no maior evento esportivo feminino do planeta, a Copa do Mundo Feminina de 2027, que terá o Brasil como país sede.

O cenário atual do esporte evidencia a urgência da medida. Apesar do crescimento exponencial do futebol feminino dentro das quatro linhas em todo o mundo, as posições de liderança técnica continuam sendo predominantemente ocupadas por homens. Para se ter uma ideia do desequilíbrio, na última edição da Copa do Mundo Feminina, realizada em 2023, apenas 12 das 32 seleções participantes eram comandadas por mulheres. “Simplesmente não há mulheres suficientes trabalhando como treinadoras hoje. Precisamos fazer mais para acelerar a mudança, criando caminhos mais claros, expandindo oportunidades e aumentando a visibilidade das mulheres em nossas laterais de campo”, declarou Jill Ellis, Diretora de Futebol da Fifa.

Contudo, a entidade ressalta que a imposição estatutária é apenas uma frente de uma estratégia de longo prazo mais robusta. Para garantir que haja profissionais qualificadas em número suficiente para assumir esses postos, a Fifa tem intensificado significativamente seus investimentos em programas de desenvolvimento e capacitação. Desde 2021, a organização já apoiou 795 treinadoras de 73 associações membros por meio de bolsas de estudo, permitindo o acesso a qualificações avançadas e oportunidades profissionais.

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Entre as iniciativas recentes de maior destaque estão a terceira edição do Programa de Mentoria de Elite, lançada em 2025, que conecta 20 treinadoras de alto rendimento a profissionais emergentes no mundo todo, e um importante programa de legado ligado à Copa dos Campeões Feminina de 2026. Este último fornece bolsas para que mulheres ligadas a clubes obtenham as cobiçadas Licenças Uefa Pro ou A. Há ainda o desenvolvimento de um caminho voltado exclusivamente para a formação de educadoras, expandindo a rede de instrutoras capazes de treinar a próxima geração.

Com a nova regulamentação aliada a esses investimentos, a Fifa dá um passo definitivo para garantir que a rápida evolução técnica e comercial do futebol feminino seja finalmente acompanhada, de forma justa e proporcional, por uma maior representatividade feminina nas funções de liderança estratégica.

Fonte: veja.abril.com.br

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